31.3.19

Passado

Como uma sombra a incerteza cessa. 
Uma ferida aberta que nunca cicatriza. 
Um aperto no peito que pesa inesperadamente 
e some de repente.
E como o respirar que acalma, também sôfrego 
tremula em ansiedade.
Se afasta do conforto para o inferno cognitivo.
Transborda em excitação e se repete em culpa.
Se houvesse um único caminho, trilharia com graça.
mas ele se bifurca em incontáveis possibilidades
O caminho único é o passado. 
O futuro se cria, mesmo sem graça. 
Com os mesmos erros e os novos. 
Desconstruindo as angustias
Mantendo o foco
Carregando o peso
Revigorando
na dúvida seguimos.

28.10.18

"Brasil acima de tudo. Deus acima de todos"



Intolerância racial, intolerância religiosa, intolerância política... Tudo isso em uma frase. 
Reflexo de um brasil que não sabe ler um texto básico e interpretar. Que acredita que a arte é puro entretenimento, e consome como se fosse propaganda. Que não critica, não tem opinião, vai na onda da maioria, ou na onda do que for mais fácil. Não tem noção da complexidade social do país. Quer diminuir a idade penal num sistema carcerário que não tem mais espaço, mas não pensa em como impedir que esse criminalidade se torne regra. 
Acha que a guerra às drogas está certa, mesmo não tendo resultados positivos e agravando a violência. Nunca ouviu falar da lei seca na década de 20. 
Acredita que regulamentar o aborto é ser a favor da pena de morte, mas defende que bandido bom é bandido morto. Nunca parou para analisar os resultados de países que colocaram a regulamentação do aborto em prática. 
É contra os "direitos humanos" mas nunca leu a carta da Declaração universal dos Direitos Humanos.
Defende que direitos são para pessoas de bem, mas não questionam quantas pessoas não são "de bem" por terem sidos negados seus direitos. 
Insiste em diminuir o posicionamento de quem se opõe. Tudo é vitimismo, falta de surra e vagabundagem. Preto é preguiçoso, pobre é bandido, gay é promíscuo e mulher serve para reproduzir. 
A intolerância não deveria ter vez. Mas vai assumir a presidência do Brasil.

31.5.18

A crueldade nas crianças e o silêncio dos adultos
o mal que trazem
e a quem?
A culpa negligenciada
a dedicação pelo isolamento
o tempo corrompido





28.5.18

Enquanto as pessoas não aprendem a pensar no coletivo, a democracia não funciona.

23.5.18

Obliquo

traga de passagem 
para que fique 
ideal esse 
que aí se cria
e que por aqui
se transforme



22.5.18

enxame

O discurso do Cidadão de Bem entra na mesma categoria do Cliente Sempre Tem Razão, criados com propósito de iludir os desavisados. O primeiro promove identificação em massa, o segundo força a fidelidade. Ambos são invenções. Nenhum é usado em favor dos que mais precisam.

31.12.13

Mais vale uma ideologia aceita do que mil impostas.


28.9.12

utopia


existiu esse lugar,
ou tempo ou espaço,
onde a humanidade já quase extinta
finalmente entrou
em harmonia com o espirito da vida.

Réu

as vezes me engano em achar que tenho
                                                              razão
racionalizo em cima do engano do outro
e mudo constantemente

 meu erro é saber.
 meu acerto é acreditar.

29.11.09

A Bolha


Uma grande bolha tocou de leve o nariz de Isabele e estourou respingando em seu olho.
- Por que choras, Isabele? - Perguntou uma voz suave que Isabele nunca tinha ouvido antes. Aliás, Isabele era acostumada a ouvir vozes nada suaves, como sua mãe, que mesmo sendo uma boa pessoa, vivia gritando. Gritava quando Isabele brincava na areia, quando Isabele parava olhando para cima esperando a chuva cair. Gritava também quando o pai de Isabele passava o domingo inteiro lavando o carro.
Isabele adorava quando seu pai lavava o carro. Ele espirrava água para cima e Isabele podia ver o arco-íris.
Foi em um domingo desses, enquanto seu pai lavava o carro, que Isabele viu uma bola flutuando. Ela era transparente, mas ao mesmo tempo brilhava em cores diferentes. Tons de azul e lilás que Isabele nunca tinha visto antes.
A bola chegou bem perto, aproximou-se de seu nariz e estourou. Algo respingou em seu olho e fez arder.
- Por que choras Isabelle?
- Não estou chorando - respondeu ela - algo respingou em meu olho.
- Então você esta chorando porque algo respingou em seu olho.
- Claro que não, choro quando algo triste me acontece e...
- Mas digo que quando algo respinga em nossos olhos e faz arder não me parece um acontecimento feliz.
Isabele ficou parada por um momento e pensou que talvez a voz tivesse razão. Mas de onde essa voz vinha?
- Venho de onde todas as ideias vem.
- E onde é isso?
- Não importa. Nada mais vai até lá. e Se algo chega até lá, jamais volta.
- Pois digo que posso visitar qualquer lugar e voltar de lá - retrucou Isabele, sabendo que não se pode ir até um lugar e não voltar dele.
- Pois eu duvido muito. Se voce conhecer o mundo das idéias jamais irá querer voltar de lá.
- Claro que vou. Disse ela relutante. Vou querer visitar minha mãe e meu pai. E para isso terei que voltar, meus pais não gostam muito de ideias.
- Claro que gostam. E já amaram uma ideia a ponto de jamais pensarem em amar outra.
Isabele não imaginava o que era amar uma ideia, e muito menos se apegar tanto a ela a ponto de esquecer de todas as outras. As ideias fascinavam Isabele. um dia tivera a ideia de ajudar um grupo de formigas. isabele acompanhou uma tarde inteira as formigas carregando folhas para dentro do formigueiro. Não eram folhas de rosa, tampouco grama. Isabele percebeu que as formigas cortavam pequenos pedaços de folhas de uma arvore que jamais tivera prestado atenção. No outro dia Isabele pegou uma duzia de folhas e as cortou em pedaços tão pequenos quanto os pedaços que as formigas cortavam e espalhou em volta do formigueiro. jamais voltou para ver se as formigas gostaram das folhas.
- Como faço para chegar ao mundo das ideias?
- Apenas siga as bolhas.
- Que bolhas - Isabele perguntou sem obter resposta.

24.6.09

News Flash

Arquivo de achados e perdidos da animação.



-news flash
http://www.youtube.com/watch?v=XbE7lPXjbAA

27.5.09

O Novo - Parte I


E o tão esparado "novo" nada mais é que o "velho" em sua nova forma.
Ou sua forma velha aparecendo pela primeira vez.
É estranho como um homem vê coisas de maneira diferente em diferentes momentos de sua vida.
O que era "passa-tempo" no sentido divertido da coisa, hoje é "passa-tempo" no sentido da fuga do monótono, do cotidiano, do corriqueiro.
O que antes parecia ser totalmente diferente, hoje é apenas uma outra versão da mesma fuga.
O quanto devemos nos acomodar e o quanto devemos fugir?
Se é cômodo fugir.
Se é uma fuga se acomodar.

19.5.09

Musicado


O velho texto batido dos amantes mal-amados.
hey, não me deixe sozinho.
hey, sonhe comigo
E segure a minha mão, agora que encontrei você.
Pois posso precisar de ajuda
Posso me sentir sozinho
Dormindo sem você
Não há mais o que discutir
Eu lembro o que a gente dividia
Mas mesmo que digam que vai acabar bem
Foi tudo perda de tempo
Porque eu sabia
Que eu ia te perder

E é uma pena.


There's one thing I want to say, so I'll be brave
You were what I wanted
I gave what I gave
I'm not sorry I met you
I'm not sorry it's over
I'm not sorry there's nothing to say

I'm not sorry there's nothing to save

18.5.09

CVP


Vai, pede!
Pede!
Pede de bobeira!
Vai!
Pede pra voltar de bricadeira.

Volte! - eu peço.
Volte!
Volte e chega de asneiras.

Chega! - eu grito.
Chega dessa trilha corriqueira.
Chega!
Chega de ir e vir a vida inteira.

15.5.09

Algumas Partes


Quero que tudo exploda em mil pedaços.
Não.
Quero que tudo quebre em mil pedaços,
e cada pedaço exploda em mil pedaços.
E quero que tudo fique bem.*
Bem em mil pedaços.
Cada pedaço bem.*
E que nada cole um pedaço no outro.
Para que fique bem,*
o conjunto de pedaços,
bem espalhados,
e quero que por tudo eles se espalhem
cada pedaço
do meu coração*

*despedaçado.

10.8.08

O Gato e a Pulga












(Adriana Calcanhoto)

A gente cata o gatinho
mas pulga custa a acabar
por isso de vez em quando
ele tem que se coçar.

Ele se coça e depois
- coisa que nunca se viu -
fica olhando para o chão
pra ver se a pulga caiu.

Se a pulga caiu de fato
- ela nem conta até três -
dá um salto mortal no ar
e pula nele outra vez.

18.8.07

Objetivo e atalhos

(Sonho e amigos)



Dorothy sentou-se no meio da jangada com Totó em seus braços. Quando o Leão Covarde pisou na jangada, esta se desequilibrou, porque ele era grande e pesado; então o Espantalho e o Lenhador de Lata subiram do outro lado a fim de equilibra-la, e com longas varas empurraram a jangada sobre a água.

26.6.07

Six Feet Under 109


Sabem o que eu acho interessante?
Se perder um cônjuge, você é chamado de viúvo ou viúva.
Se for criança e perder os pais, você é um órfão.
Mas que palavra descreve o pai ou a mãe que perde um filho?
Acho que é terrível demais até para se dar um nome.

3.6.07

Gelo

Em temperatura ambiente ele tende a derreter...








Pobres esquimós e seus pinguins.

30.5.07

O Jogador



Você tem muitas tacadas.
Se elas são boas, cabe a você decidir fazer com que o jogo dure mais.
A bola 8 pode ser uma comeptição eterna.
Ou pode ser um jogo egoísta onde as bolas menores criam sua geena.

Deixa queimar.



Talvez eu pense, talvez não.
Talvez eu irei, talvez não,
Achar o meu caminho dessa vez.
(The magic Numbers)